‘Espero Tua (Re)Volta’ é consagrado melhor filme do Cine PE 2019

‘Espero Tua (Re)Volta’ é consagrado melhor filme do Cine PE 2019

A 23ª edição do Cine PE chegou ao fim na noite deste domingo (4), no Cinema São Luiz, e consagrou o documentário “Espero Tua (Re)Volta” como o Melhor Longa-Metragem escolhido pelo Júri Oficial do evento. O filme, de Eliza Capai, reflete, a partir do olhar de três jovens ex-secundaristas, a recente história brasileira por meio das lutas estudantis.

O documentário “Cor de Pele”, de Lívia Perini, ganhou o prêmio de Melhor Curta Nacional, enquanto que na Mostra Competitiva de Curtas Pernambucanos o vencedor foi o filme de ficção fantástica “Coleção”, que ainda abocanhou as Calungas de Prata de Melhor Direção para André Pinto e Henrique Spencer, Melhor Roteiro, Melhor Ator e Melhor Atriz.

O Júri Oficial do Cine PE foi formado pela produtora cinematográfica e cultural Mônica Silveira; a produtora, diretora de fotografia e cineasta Maria Pessôa; o diretor de animação Alisson Ricardo; o roteirista Nelson Caldas Filho; o ator, diretor, produtor cultural e professor Sérgio Fidalgo; Silvia Levy, sócia da nova produtora Alef Films; a jornalista e cineasta Vânia Lima; e o professor-associado da Universidade do Estado do Rio de Janeiro Rafael dos Santos.

O longa-metragem “Teoria do Ímpeto”, de Marcelo R. Faria e Rafael Moura, também foi um dos grandes destaques desta edição, levando para casa quatro Calungas de Prata, incluindo as de Melhor Direção, Melhor Fotografia, Melhor Ator Coadjuvante e Melhor Ator.

Neste ano, o jurados dos longa-metragens resolveram resgatar a categoria Prêmio Especial do Júri para reverenciar o documentário “Vidas Descartáveis”, de Alexandre Valenti e Alberto Graça. O prêmio foi concedido “pela relevância e urgência do tema abordado, pelo olhar sensível e a contribuição ao combate do trabalho escravo moderno no Brasil”. Por apresentarem um trabalho artístico relevante para o filmo, o júri também concedeu menção honrosa para as atrizes Izabel Santos e Rita Maia, do filme “Abraço”.

JÚRI POPULAR – Pelo segundo ano consecutivo, o público pôde eleger seus filmes favoritos nas três mostras competitivas do festival por meio de um aplicativo para smartphone. O melhor curta pernambucano foi “Mulheres de Fogo”, de Vinícius Meireles, enquanto o divertido “Tommy Brilho”, de Sávio Fernandes, foi eleito o melhor curta nacional. O melhor longa-metragem, para o Júri Popular, foi “Abraço”, do diretor Deivisson Fiuza.

PRÊMIO DA CRÍTICA – Composto por Amanda Aouad, crítica de cinema e editora do site CinePipocaCult; Roberto Cunha, apresentador do Drops de Cinema nas rádios Cidade e StereoZero; e Robledo Milani, sócio-fundador Abraccine, a crítica especializada concedeu a Calunga de Melhor Longa para “Espero Tua (Re)Volta”. O prêmio de Melhor Curta Nacional foi para “A Pedra”, de Iuli Gerbase.

PRÊMIO CANAL BRASIL DE CURTAS – Com júri formado por Ismaelino Pinto, do jornal O Liberal (PA); Clarissa Kuschnir,  Revista Preview (SP); Barbara Demerov, do site AdoroCinema (SP); Vitor Búrigo, do CineVitor (SC); e Robledo Milani, do Papo de Cinema (RS), o Prêmio Canal Brasil elegeu como melhor curta a animação “Apneia”, de Carol Sakura e Walkir Fernandes. Com o objetivo de estimular a nova geração de cineastas, o Canal Brasil oferece um troféu e R$ 15 mil para o melhor filme de curta-metragem, que também é exibido em sua grade de programação. 

PRÊMIO ESPECIAL DO JÚRI – A categoria foi resgatada pela comissão julgadora para reverenciar o longa-metragem “Vidas Descartáveis”, de Alexandre Valenti e Alberto Graça.  

PRÊMIO CIA RIO – A CiaRio vai premiar as três produções escolhidas pelo Júri Oficial nas três mostras competitivas. Os filmes eleitos ganharão locação de equipamentos de iluminação, acessórios e maquinaria da empresa NAYMAR.    

CONCURSO DE ARGUMENTO – Neste ano, a Escola de Roteirista Empreendedor (RWR) e o CTAV-SAV premiará um argumento no formato de curta-metragem com uma bolsa no valor de 50% no curso de Roteirista Empreendedor da Escola Recife Writers Room (RWR). O projeto selecionado foi “#Relacionamentos”, de Felipe Augusto Hidalgo Barros.

Confira lista completa de premiados: 

PRÊMIO CANAL BRASIL 

Melhor Curta – “Apneia” (PR) 

PRÊMIO DA CRÍTICA – ABRACCINE 

Melhor Curta Nacional – “A Pedra” (RS) 

Melhor Longa-Metragem – “Espero Tua (Re)Volta” (SP) 

MOSTRA COMPETITIVA DE CURTAS-METRAGENS PERNAMBUCANOS 

Melhor Filme – “Coleção” 

Júri Popular – “Mulheres de Fogo”  

Melhor Direção – André Pinto e Henrique Spencer (“Coleção”) 

Melhor Roteiro – André Pinto (“Coleção”) 

Melhor Fotografia – André de Pina (“Quando A Chuva Vem”) 

Melhor Montagem- Paulo Leonardo (“Quando a Chuva Vem”) 

Melhor Edição de Som – Alisson Santos (“Quando A Chuva Vem”) 

Melhor Direção de Arte – Jefferson Batista (“Quando A Chuva Vem”) 

Melhor Trilha Sonora – Miguel Guerra (“S/N (Sem Número)”) 

Melhor Ator – Jorge de Paula (“Coleção”) 

Melhor Atriz – Hermínia Mendes (“Coleção”) 

MOSTRA COMPETITIVA DE CURTAS-METRAGENS NACIONAIS 

Melhor Filme – “Cor de Pele” 

Júri Popular – “Tommy Brilho” (CE) 

Melhor Direção – Carlos Nigro (“Casa Cheia”) 

Melhor Roteiro – Faustón da Silva (“A Margem Do Universo”) 

Melhor Fotografia – Gustavo Serrate (“A Margem Do Universo”) 

Melhor Montagem – Yan Motta (“Cor de Pele”) 

Melhor Edição de Som – Jack Moraes (“#Procuram-se Mulheres”) 

Melhor Direção de Arte – Helga Queiroz (“Casa Cheia”) 

Melhor Trilha Sonora – Bruno Vieira Brixel (“Vivi Lobo e o Quarto Mágico”) 

Melhor Ator –  Felipe Kannenberg (“A Pedra”) 

Melhor Atriz – Petra Sunjo (“A Margem Do Universo”) 

MOSTRA COMPETITIVA DE LONGAS-METRAGENS 

Melhor Filme – “Espero Tua (re)volta” (SP) 

Júri Popular – “Abraço” (BA) 

Prêmio especial do Júri – “Vidas Descartáveis” (RJ) 

Menção honrosa – atrizes Izabel Santos e Rita Maia, do filme “Abraço” (BA) 

Melhor Direção – Marcelo R. Faria e Rafael Moura (“Teoria do Ímpeto”) 

Melhor Roteiro – Eliza Capai (“Espero Tua (re)volta”) 

Melhor Fotografia – André Carvalheira – Xará (“Teoria Do Ímpeto”) 

Melhor Montagem – Eliza Capai e Yuri Amaral (“Espero Tua (re)volta”) 

Melhor Edição de Som – Simone Petrillo e Cristiano Scherer (“O Corpo é Nosso”) 

Melhor Direção de Arte – Patrícia Nunes (“Um e Oitenta e Seis Avos”) 

Melhor Trilha Sonora – André Abujamira e Eron Guarnieri (“Abraço”) 

Melhor Ator – Adriano Barroso (“Teoria Do Ímpeto”) 

Melhor Atriz – Giuliana Maria (“Abraço”) 

Melhor Ator Coadjuvante – Pablo Magalhães (“Teoria do Ímpeto”) 

Melhor Atriz Coadjuvante – Débora Duarte (“Um e Oitenta e Seis Avos”) 

No Cine PE, Drica Moraes e Renato Góes usam espaço para criticar Governo Federal

No Cine PE, Drica Moraes e Renato Góes usam espaço para criticar Governo Federal

Com os recentes ataques à Agência Nacional do Cinema (Ancine), era até difícil imaginar um festival com um alcance tão grande como o Cine PE não ser palco de inúmeras mensagens de resiliência e protesto. Não houve, na noite deste sábado (3), um representante de um filme que não tenha criticado o desejo do chefe do Executivo de extinguir a Ancine. Drica Moraes, que foi homenageada do festival e recebeu nesta noite o troféu Calunga de Ouro, maior honraria do festival, encerrou seu discurso de agradecimento falando sobre o atual cenário político do país. “Pra finalizar, não dá pra gente não falar do Brasil, porque a gente sabe que vivemos tempos horrorosos. O governo trabalha incessantemente no incentivo de descredibilizar e demonizar qualquer atividade ligada à cultura e arte, de modo geral, mas nós também podemos dizer que iremos continuar a fazer os nossos filmes”, disparou a carioca, que foi largamente aplaudida pelo público. 

Renato Góes, presente no evento para o lançamento de seu novo filme “O Corpo é Nosso!”, de Theresa Jessouroun, também fez uma crítica ferrenha à política atual. “Eu quero agradecer ao festival, porque qualquer iniciativa de cultura, hoje, é resistência! Eu espero que a gente não desista, que a gente não perca a força e a vontade. Não vamos confundir educação, religião e cultura com política”. Góes, que é pernambucano e recebeu o Calunga de Melhor Ator Coadjuvante em 2016 pelo seu papel em “Por Trás do Céu”, de Caio Sóh, foi igualmente ovacionado pela plateia, que por mais uma noite lotou o Cinema São Luiz. Jessouroun, diretora do longa, também expressou sua opinião sobre o assunto e deu uma breve aula sobre o fundo setorial. “Fazer arte é um ato político”, protestou a cineasta. 

Guilherme Folly, diretor do documentário em curta-metragem “Pogrom” também arrancou aplausos do público. “Meu filme tenta analisar os últimos acontecimentos do país, principalmente os de 2018, as eleições presidenciais, para tentar entender o que faz a sociedade civil brasileira e seus políticos reverberarem discursos autoritários, fascistas e tão desumanos”, explicou o cineasta. “Pogrom” foi o último curta exibido durante a 23ª edição do Cine PE, que anuncia na noite deste domingo (4) os vencedores em todas as categorias concorrentes das mostras competitivas de curtas-metragens pernambucanos e nacionais, além de longas-metragens. A cerimônia de premiação começa às 19h30, no Cinema São Luiz. As entradas são gratuitas.

“Para os cineastas pernambucanos, eu tô facinha, facinha”, revela Drica Moraes durante o Cine PE

“Para os cineastas pernambucanos, eu tô facinha, facinha”, revela Drica Moraes durante o Cine PE

A atriz Drica Moraes, homenageada na 23ª edição do Cine PE, participou de coletiva de imprensa na manhã deste sábado no Hotel Nobile Suítes Executive, em Boa Viagem. A intérprete recebe, na noite de hoje, o trófeu Calunga de Ouro pelo conjunto de sua obra. Em conversa, Drica confessou que venera o cinema pernambucano e que gostaria de trabalhar em algum filme daqui. “Eu tenho fetiche por tudo que é feito aqui. Para os cineastas pernambucanos, eu tô facinha, facinha”, contou a carioca, arrancando gargalhadas do público.


Ao lado do filho Mateus – que fez questão de participar do debate ao lado da mãe – Drica, em diversos momentos da conversa, deu ênfase à importância da maternidade em sua vida. “Antes de ser mãe, eu cheguei a pegar sete trabalhos ao mesmo tempo, isso no início da minha carreira. Agora, com a chegada do Mateus, ele passou a ser minha prioridade. Hoje, quando me convidam para algum trabalho, eu só tenho 40 horas semanais disponíveis para me dedicar”, explicou a atriz.


De acordo com Sandra Bertini, diretora do Cine PE, Drica foi escolhida como homenageada por sua importante história dentro do audiovisual. “Drica é uma atriz visceral. Ela vai da comédia ao suspense com maestria, e o festival entende que essa força criativa, que ela carrega ao longo de 36 anos de carreira, deve ser exaltada”, comentou Sandra.

A euforia dos corpos em revolta

A euforia dos corpos em revolta

As coletivas de imprensa do Cine PE são importantes oportunidades de troca de experiências, explicações e curiosidades. A roda de conversas da manhã deste sábado (3) foi um momento bastante político. Em foco, o longa-metragem “Espero tua (re)volta!”, de Eliza Capai. Não poderia ser diferente: a produção da cineasta acompanha as lutas estudantis em busca de um ensino público de qualidade e de uma cidade mais inclusiva, e deságua na eleição do presidente Jair Bolsonaro, em 2018. “Eu vejo muito no teu filme essa coisa da euforia dos corpos em revolta, que tem a pretensão de despertar o mesmo em nós, expectadores”, comentou Luís Carlos Merten, jornalista do Estadão, durante o debate. O crítico ainda expressou que tem visto uma conexão muito forte na programação do Cine PE. “Acho que vem acontecendo um diálogo entre o que estamos assistindo, as apresentações das equipes no palco do Cinema São Luiz, e os debates que viemos construindo aqui, sempre com um forte viés político”. De acordo com Capai, para a produção do longa, que tem uma hora e trinta minutos, ela obteve entre 250 e 200 horas de material.

Durante a manhã, também foram discutidos aspectos técnicos e curiosidades dos curtas-metragens exibidos na noite da última sexta-feira (2). Estiveram presentes os representantes do pernambucano “Epígramas”, de Wayner Tristão; “S/N (Sem número), de Renata Malta; “3x Melhor”, de Andriolli Araújo; “Tommy Brilho”, de Sávio Fernandes; “O Mistério da Carne”, de Rafaela Camelo; “Lembra”, de Leonardo Martinelli – diretor que, inclusive, esteve presente no festival no ano passado com o premiado falso documentário “Vidas Cinzas”; “A Margem do Universo”, de Tiago Esmeraldo; e “Vivi Lobo e o Quarto Mágico”, de Isabelle Santos e Edu MZ Camargo.

Nínive Caldas rouba a cena em apresentação do Cine PE

Nínive Caldas rouba a cena em apresentação do Cine PE

Assumir o lugar de uma profissional como Graça Araújo não é fácil. Graça, que faleceu em setembro do ano passado, fez o cerimonial do Cine PE – Festival do Audiovisual por 22 anos. Não é à toa que frequentemente ela é apontada como “a voz do Cine PE”. No entanto, com a partida da jornalista, a atriz Nínive Caldas segurou o bastão com muita personalidade. Aplaudida em diversos momentos na noite desta sexta-feira (2), a intérprete roubou a cena em vários momentos. Na plateia ouviam-se muitos elogios à apresentação da atriz, com alusões a seus comentários interessantes e sua capacidade de improviso.

Totalmente confortável no palco do Cinema São Luiz, Nínive dividiu os holofotes com ótimos filmes. Dos curtas-metragens da noite, alguns foram largamente aplaudidos – como o cearense “Tommy Brilho”, de Sávio Fernandes, que acompanha o personagem-título, um aluno que enfrenta as dificuldades de ser invisível; a animação “Vivi Lobo e o Quarto Mágico”, de Isabelle Santos, que fala sobre nos aceitarmos como somos; e o documentário “3x Melhor”, de Andreolli Araújo, que convida o espectador a mergulhar na trajetória de Elaine Patrícia, uma jovem negra de 20 anos que precisa enfrentar o preconceito racial.

Outro momento de destaque foi a apresentação de Eliza Capai, que estreou no festival com seu terceiro longa-metragem, o documentário “Espero tua (re)volta”. “Eu tô com uma sensação crescente, agravada por esta semana, que é quase como se tudo o que eu acreditasse tivesse deixando de existir”, comentou Capai sobre o atual cenário político. O filme reflete, a partir do olhar de três jovens ex-secundaristas, a recente história brasileira por meio das lutas estudantis.

Este sábado (3) marca a última noite de exibições do Cine PE. Compõem a programação os curtas “Trip & Treasure” e “Pogrom”, e os longas “O Corpo é Nosso!” e “Teoria do Ímpeto”. A noite ainda conta com a homenagem à atriz Drica Moraes, que recebe o prêmio Calunga de Ouro em reconhecimento ao seu trabalho.