Além de ser uma importante janela para o escoamento de curtas e longas-metragens realizados de forma independente, festivais de cinema sempre se mostram uma importante oportunidade de aprendizado. Presente no calendário do Recife há 24 anos, o Cine PE é um dos festivais que colaboram para o fomento e distribuição da produção audiovisual brasileira. Além de projeções, debates e atividades de formação e qualificação profissional, o evento também é reconhecido por fortalecer a cadeia produtiva do cinema, dando espaço tanto para estudantes como para cineastas com vasta experiência no currículo. “Enquanto em outros eventos, nós, alunos de comunicação, só conseguimos inserir nossos filmes em categorias específicas, no Cine PE não. Existe oportunidade para os estudantes, valorizando a cena universitária sem nos separar da programação oficial”, comentou Pedro Ferreira, diretor do mocumentário em curta-metragem “Inocentes”, durante coletiva de imprensa no Nobile Suítes Executive, em Boa Viagem.

Durante a conversa, na manhã desta quinta-feira (25), os realizadores dos dez curtas-metragens e dos dois longas exibidos na noite da última quarta (24) tiveram a oportunidade de falar um pouco sobre o processo de produção e execução dos seus filmes. Durante o encontro, que foi aberto ao público, jornalistas e outros realizadores de cultura puderam contribuir com o debate mediado pelo curador do festival e mediador Edu Fernandes. Além de “Inocentes”, participaram da coletiva os cineastas à frente dos curtas “Portas”, “Cannabis Medicinal no Brasil: A Guerra pelo Acesso”, “Playlist”, “Debaixo do Guarda-Chuva pra Ser Resistência”, “Time de Dois”, “Corpo Mudo”, “Pausa para o Café”, “Pega-se Facção” e “Algoritmo”. “É muito importante a existência de políticas públicas para incentivar a produção audiovisual. Cinema é coletivo. Estar num Cine PE é o impulso para muitos de nós, é o incentivo de que vai dar certo”, comentou Thaís Braga, diretora de “Pega-se Facção”.

Durante a manhã, também participaram da conversa André Bomfim, diretor do documentário “Ainda Estou Vivo”, e Pedro Fasanaro, ator do romance “Deserto Particular”. André, que trouxe para o Cine PE seu primeiro longa-metragem, falou sobre a concepção da história, que recorta um processo de ressocialização de detentos em um presídio de Rondônia. “O filme mostra o olhar de responsabilização do agressor, e não o contrário, como costuma acontecer, que a vítima é obrigada a perdoar. Foi uma decisão de montagem manter essa linha. O propósito não é discutir se é válido ou não, mas ampliar a discussão”, explicou.

Já Pedro Fasanaro, intérprete de Sara no longa-metragem de Aly Muritiba, falou sobre a sensibilidade de escuta do diretor. “Uma das coisas que me deixa mais feliz é que o Aly tem uma escuta muito sensível. Construímos muito juntos. Cenas foram mudadas, cenas caíram. Aly sempre disponível para ouvir e adaptar para entender a melhor maneira de fazer a cena. É um filme que conta uma história de amor, com um teor de violência, mas a gente não queria um filme violento, pesado que pudesse despertar certos gatilhos”, disse o ator.