Em sua 25ª edição, o Cine PE estampa em sua campanha publicitária o termo “DemocraCINE”, que remete à necessidade de democratizar o audiovisual como exercício de cidadania. “O cinema ainda sofre diversos preconceitos por parte do público e da própria indústria. Infelizmente, isso é uma realidade. Mulheres recebem salários menores, as pessoas ainda não entendem o conceito de gênero e sexualidade, pessoas cis ainda ocupam o lugar de fala de pessoas trans. ‘DemocraCINE’ é sobre a arte ser um lugar de todos. É sobre abrirmos espaço para que histórias sejam contadas e entregues para cada vez mais gente”, explicou Sandra Bertini, idealizadora do festival.

Na programação da tarde desta quarta-feira (24), curtas-metragens como “Debaixo do Guarda-chuva para Ser Resistência” e “Time de Dois” dialogaram diretamente com o tema da edição. Ultrapassando barreiras, a mostra abordou vários temas sensíveis e urgentes em filmes como “Cannabis Medicinal no Brasil: A Guerra Pelo Acesso”, um documentário sobre a difícil realidade de pacientes do Nordeste que usam a maconha como alternativa para a saúde e qualidade de vida; o doloroso “Corpo Mudo”, que descortina a violência sexual contra crianças e adolescentes através de depoimentos de vítimas; o documentário “Pega-se Facção”, que descostura o capitalismo; e “Algoritmo”, ficção que imagina um futuro distópico em que um governo totalitário controla o fluxo de informações. 

Em paralelo, curtas como “Portas” e “Inocentes” ecoaram pelo Teatro do Parque, pondo a mão na ferida de todo mundo que foi afetado pela pandemia. “‘Inocentes’ é um vômito sobre esse fim de mundo e esse momento apocalíptico que estamos vivendo”, comentou o diretor Pedro Ferreira. Completaram as mostras de curtas-metragens o afetivo “Playlist” e “Pausa para o Café”, que narra o encontro entre duas mulheres no intervalo do trabalho para abordar um assunto delicado.

À noite, o primeiro longa-metragem a ser exibido foi o documentário “Ainda Estou Vivo”, de André Bonfim. “É a primeira vez que eu vou assistir ao filme no cinema. Ele foi finalizado durante a pandemia, num processo bem difícil de troca de frames para colorização e outras etapas. É uma alegria pra mim estar aqui e ver que meu filme vai ser visto pelo grande público”.

Na sequência, o festival trouxe “Deserto Particular”, de Aly Muritiba, indicado nacional para concorrer a uma vaga no Oscar. “Eu bebi da minha própria história pra construir minha personagem, então foi um presente pra mim e é um orgulho poder levá-la para todo o Brasil”, comentou Pedro Fasanaro, que interpreta Sara no longa.