Diretores do Cine PE fazem balanço da edição de 20 anos do festival

Diretores do Cine PE fazem balanço da edição de 20 anos do festival

Sandra e Alfredo Bertini, diretores do Cine PE, reuniram a imprensa na manhã deste sábado (7), no Hotel 7 Colinas, em Olinda, para fazer um balanço sobre a edição de 20 anos do Festival Audiovisual. Para colocar o festival no ar, foram oito meses de trabalho, entre curadoria e seleção de filmes para as mostras competitivas, captação de patrocínios, produção em geral. Sandra explicou que este ano inscreveram-se 575 filmes, sendo 501 curtas e 74 longas. Destes 31 filmes se inscreveram para a Mostra Pernambucana de Curtas-Metragens. “Procurei fazer trazer uma identidade de tudo o que está sendo produzido em Pernambuco. A maioria dos nove selecionados não tiveram financiamento, por exemplo, foram feito no esquema de ‘cinema de brodagem’. Fiquei muito satisfeita com a seleção”, comentou Sandra, que é curadora da mostra PE.

Outro ponto comentado foi sobre a inclusão inédita de um longa de animação infantil dentro da mostra competitiva de longas. De acordo com Alfredo, a escolha surgiu como um movimento natural do cinema. “Temos que apostar na diversidade temática e reconhecer a dificuldade de se fazer filme infantil de animação no Brasil. Além disso, sem filme infantil como se forma uma plateia? Precisamos das crianças no cinema”, pontuou Bertini.

Sandra destacou que a palavra que defini o Cine PE, ao longo desses 20 anos de história, é pluralidade. “Se formos traçar um perfil do Cine PE, durante todos esses anos, veremos que a pluralidade deu o tom sempre. É assim que eu acredito a cultura, sem excluir ninguém”, disse a diretora do festival. Ela comentou que a falta de filmes internacionais na programação deste ano faz parte de um modelo para caber dentro do orçamento em tempo de crise.

Sobre a crise, os diretores ainda fizeram um desabafo sobre as dificuldades para viabilizar mais uma edição do festival audiovisual. Alfredo Bertini questionou o processo burocrático dos editais públicos, que, segundo ele, estão cada vez mais cáusticos e chatos. Os obstáculos são gigantescos para se produzir no Brasil. Não somos contra fazer prestação de conta, até acho necessário, mas estamos chegando ao exagero de ter que fazer registros fotográficos até do pessoal de limpeza com vassouras nas mãos”, desabafou Alfredo. Ele também agradeceu ao apoio dos patrocinadores que acreditam no trabalho do Cine PE. “É natural que diante da atual situação do País as coisas não estejam muito fáceis também para a produção cultural. Mas tivemos a felicidade de manter a mesma quantidade de patrocinadores do ano anterior, o que foi fundamental para colocarmos o festival nas ruas”.

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