Estadão (Web)-Atriz declarou seu amor por Ariano Suassuna e tristeza pela falta de José Wilker

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Laura Cardoso foi uma verdadeira rainha no palco do Cine-Teatro Guararapes. E além do Calunga especial, por sua carreira, recebeu um prêmio adicional do criador do Cine PE, Alfredo Bertini. Ele disse que, do triunvirato das grandes atrizes brasileiras que haviam sido premiadas no Recife – Fernanda Montenegro, Marieta Severo e Laura -, só a última ainda não recebera o Calunga, que, naquele momento, lhe outorgava. Ontem choveu demais no Recife, mas nem o alerta de enchente inibiu o público que havia desertado na noite anterior. A sala quase encheu para a homenagem a Laura, que foi homenageada de pé.

Ela disse que não havia preparado seu discurso de agradecimento. Que ia falar com o coração. Elogiou a cidade do Recife, patrimônio cultural brasileiro e terra de gente calorosa e hospitaleira. Declarou seu amor pelo grande Ariano Suassuna, mas acrescentou que, com toda a alegria que estava sentindo, havia também uma ponta de tristeza e saudade – pela ausência de um colega querido (José Wilker), que também seria (será) homenageado este ano, mas agora não poderá mais receber seu prêmio especial. Por isso mesmo, primeiro de tudo Laura disse que estava feliz de estar ali, perante a gente, para agradecer pessoalmente a homenagem que, na sua modéstia, definiu como não merecida.

Vestiu-se de preto e dourado. No documentário que o Canal Brasil tradicionalmente faz para acompanhar as homenagens nos grandes festivais brasileiros, disse que acredita que ser artista é uma vocação que nasce com a gente. O aprimoramento exige muito trabalho e dedicação, mas a chama já tem de estar com a pessoa. Laura foi premiada como melhor atriz no Cine PE por Através da Janela, de Tata Amaral. Ela tem feito filmes desde o começo dos anos 1960. Faz também teatro e (muita) televisão. Disse que criar uma personagem é sempre um processo difícil – para ela. Para seu público, é um prazer. Como estava ontem no palco, era uma rainha, uma dama. Com um pano na cabeça e arrastando chinelos, passa por qualquer dona de casa suburbana. Laura não é uma. É múltipla. Sua risada, quando riu, foi prazerosa.