O segundo dia de coletivas do CINE PE 2025, realizado nesta quarta-feira (10), deu continuidade à programação do festival com debates que ressaltaram o papel da tradição cultural brasileira no cinema. Os cineastas presentes destacaram a importância de ampliar os investimentos públicos e privados no audiovisual, especialmente em produções que valorizam narrativas regionais.

Juliana Lira, produtora do documentário O ano em que o frevo não foi pra rua, que revisita os carnavais suspensos pela pandemia e evidencia a força coletiva da produção cultural em Pernambuco, destacou a necessidade de apoio local. “Foi muito bonito quando os Guerreiros do Passo estiveram em Cannes, eu fiquei muito emocionada. Mas é ainda mais bonito quando a gente tem apoio aqui também. Apoio pra poder sair. Porque, depois que a gente conquista visibilidade, todo mundo quer ser o pai da criança”, pontuou.

A valorização das histórias contadas a partir do olhar de quem vive o território foi um dos principais pontos reforçados na coletiva sobre O Carnaval é de Pelé, documentário de Lucas Santos e Daniele Leite. A obra retrata a trajetória do Boi Tira-Teima, grupo centenário de Bumba meu Boi da cidade de Caruaru. “Toda a equipe do filme é do Agreste e a gente acredita que quando alguém da região faz um filme sobre ela, coloca ali sua vivência, sua visão de mundo. Estar aqui no Cine PE, ter produzido esse filme graças ao edital Paulo Gustavo, é massa. Mas como fazer esse conteúdo circular? Como sair desses lugares? Esse é o grande desafio, porque falta apoio e investimento”, refletiu Daniele.

Também exibido no festival, o curta Babalu é Carne Forte, de Julia Doxagui, apresentou uma ficção que mistura mistério, realidade e laços familiares. “Estou muito feliz em estrear o filme no Cine PE, e com a sala cheia! A obra foi pensada para as crianças”, comentou a diretora.

Encerrando a coletiva, o curta de animação Kabuki, do diretor Tiago Minamisawa (SP), emocionou o público com sua delicada narrativa desenvolvida ao longo de nove anos. “É minha primeira vez em Recife e estou muito, muito feliz. Esse filme só existe graças a muitas mãos, especialmente de pessoas trans, que ajudaram a construir essa história. Espero que ele contribua para transformar a realidade que retrata”, declarou Tiago.

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