Hotel Transamérica sedia penúltima coletiva de imprensa do CINE PE

Hotel Transamérica sedia penúltima coletiva de imprensa do CINE PE

Aconteceu na manhã deste domingo (2) a penúltima coletiva de imprensa do CINE PE, no Hotel Transamérica, em Boa Viagem. A conversa aberta ao público começou pouco depois das 10h e contou com a presença do diretor do curta Autofagia, Felipe Soares, e Priscilla Botelho, responsável pelo figurino e som direto; o ator Guilherme Rodio, de Sal, e Luna Grimberg, cineasta à frente de O Tronco. Um dos maiores destaques do bate-papo foi a atuação de Arlindo Ferreira, pai de Felipe Soares e um dos protagonistas de Autofagia. “Meu pai é analfabeto, mestre de obra. Ele veio para Recife, voltou para Bezerros, trabalha na área rural, então ele tem essa pele ressacada e eu procurei bastante [por um ator], quando eu olhei, percebi: ‘é ele'”, comentou Felipe. Sobre a proposta de atuação, Felipe comentou: “Num momento a gente sentou na mesa, na casinha no interior, pra falar com ele. Foi difícil porque ele foi criado ali, machista, preconceituoso”. “Lembrei agora que quando apresentei o roteiro, a esposa dele derrubou um prato na pia. Parou e ficou aquela tensão”, brincou. Apesar do enredo, que acompanha uma relação entre um homem do campo e uma travesti, Arlindo apoiou a ideia do filho: “Ele me olhou e disse que confiava em mim”, contou Felipe emocionado.

Diretor e figurinista falam sobre “Autofagia”. Foto: Lana Pinho/Divulgação

Após o debate com os responsáveis pelos curtas exibidos no sábado (1º), a idealizadora do festival Sandra Bertini mediou um bate-papo com o diretor de Toro, Edu Felistoque. Na conversa estiveram em pauta os bastidores de um set de filmagem e os percalços habituais de se lançar um filme.

Filmes densos marcam noite de sábado no CINE PE

Filmes densos marcam noite de sábado no CINE PE

O Cinema São Luiz, no Centro do Recife, acolheu neste sábado (1º) mais uma noite de exibição do CINE PE. Com a plateia praticamente lotada, o espaço recebeu a projeção do curta-metragem pernambucano Autofagia, gravado em Bezerros, no Agreste do Estado. Realizado sem nenhum incentivo cultural público ou privado, o filme aborda temas como gênero, sexualidade e homofobia, e já participou de 21 festivais nacionais e internacionais. Após apresentar a equipe do curta, o diretor Felipe Soares frisou a importância da reflexão e problematização que o filme traz. “Vivemos em uma sociedade hipócrita e preconceituosa, e Autofagia vem com força debater, gritar”, pontuou.

Equipe do filme “Autofagia”. Foto: Lana Pinho/Divulgação

A animação Quando os Dias Eram Eternos, de Marcus Vinicius Vasconcelos, marcou o momento de maior delicadeza em uma noite de temáticas densas. Também como parte da Mostra Competitiva de Curtas Nacionais, foram exibidos o curta dramático O Tronco, de Leonardo Rocha e Luna Grimberg, e Sal. O filme do diretor Diego Freitas, produzido com um orçamento de R$ 2.000, impressionou e foi intensamente aplaudido.

O fechamento da quinta noite de festival se deu com a ficção Toro, que integra a Mostra Competitiva de Longas-Metragens. A película narra a vida de um ex-policial que já foi playboy, traficante e até homem de honra, mas perdeu sua dignidade nos anos em que passou atrás das grades. O diretor Edu Felistoque, após prometer ser breve, pediu para deixar um recado: “Quarenta anos atrás, quando eu cismei com esse negócio de cinema e cultura, eu imaginei, e creio nisso até hoje, que a arte é uma ferramenta, e não uma arma. Então, eu fico um pouco surpreso com esse uso da arte como arma”, concluiu.

Neste domingo (2), o festival exibe o documentário pernambucano Entre Andares, de Aline Van der Linden e Marina Moura Maciel, José, animação assinada por Fernando Gutiérrez e Gabriel Ramos, e Aqueles Anos em Dezembro, de Felipe Arrojo Poroger. O longa exibido na penúltima noite de festival é o documentário O Caso Dionísio Diaz, dirigido por Fabiana Karla e Chico Amorim. Às 10h, no Hotel Transamérica, em Boa Viagem, acontecem as entrevistas coletivas dos filmes exibidos no sábado (1º).

Para o roteirista Marcílio Moraes, autores têm pouca liberdade atualmente

Para o roteirista Marcílio Moraes, autores têm pouca liberdade atualmente

Durante coletiva no Hotel Transamérica, em Boa Viagem, na manhã deste sábado (1º), o roteirista Marcílio Moraes expôs a dificuldade que os roteiristas passam atualmente nas emissoras de TV: “Eu tenho um contrato ainda com a Record, mas é uma emissora muito religiosa, né? E eu não sou muito religioso. Enfim, os autores têm pouca liberdade hoje em dia”, desabafou. Marcílio, roteirista de clássicos da teledramaturgia brasileira como Roque Santeiro, Roda de Fogo e Mandala, está no Recife para o lançamento de seu primeiro filme, o thriller policial O Crime da Gávea. Exibido no CINE PE na noite da última sexta (30), o longa dirigido por André Warwar é inspirado no livro homônimo escrito pelo próprio Marcílio e lançado em 2003.

Sandra Bertini e Marcílio Moraes. Foto: Lana Pinho/Divulgação

No mesmo local, pouco antes da conversa com o roteirista, Sandra Bertini mediou um debate com os responsáveis pelos curtas exibidos no quarto dia de festival. Estavam presentes o Dr. Rildo Saraiva, que, aos 14 anos, foi protagonista do longa O Canto do Mar e agora, aos 80, é personagem do documentário O Menino do Canto do Mar, dirigido por Ulisses Andrade, também presente; o diretor de Peleja do Sertão, Fábio Miranda; e Day Rodrigues, diretora de Mulheres Negras: Projetos de Mundo.

Emoção e saudosismo na quarta noite do CINE PE

Emoção e saudosismo na quarta noite do CINE PE

Quase 64 anos após o lançamento do longa-metragem pernambucano O Canto do Mar, o Cinema São Luiz reviveu e remontou o filme de Alberto Cavalcanti. Na noite da última sexta (30), o CINE PE Festival do Audiovisual exibiu o curta O Menino do Canto do Mar, dirigido e roteirizado por Ulisses Andrade. No palco, entre outros membros da equipe, estava o ator Rildo Saraiva, que deu vida ao personagem principal em 1953. “O que eu posso falar? Aos 14 anos eu estava aqui, neste mesmo palco, ao lado de Alberto Cavalcanti e Hermilo Borba Filho”, lembrou Rildo, visivelmente emocionado. “O menino do canto do mar sou eu. O menino do interior, com vontade de ir para a cidade grande, estudar e aprender a escrever”, contemplou o ator, que hoje tem mais de 80 anos.

Na sequência, o público assistiu à animação cearense Peleja do Sertão, de Fábio Miranda. O curta, aprovado em 21 festivais, acompanha a noite de um grupo de sertanejos que, após sofrer um acidente, se depara com uma criatura assassina que vai matando um a um. Terceira projeção da noite, o documentário paulistano Mulheres Negras: Projetos de Mundo, da diretora Day Rodrigues em parceria com Lucas Ogasawara, arrancou lágrimas, aplausos e assovios do público. Com 25 minutos de duração, o filme dá voz à mulher negra e reverbera o grito de uma humanidade historicamente negada.

Filme de Day Rodrigues emocionou o público. Foto: Lana Pinho/Divulgação

Por fim, coube a O Crime da Gávea, dirigido por André Warwar, o fechamento da quarta noite do CINE PE. A equipe de produção do thriller policial foi representada pelo roteirista de novelas Marcílio Moraes, que estreia no cinema depois de ter escrito o livro que deu origem ao longa. “Para mim é um prêmio participar deste festival que tem tanto prestígio em Pernambuco”, declarou. Neste sábado (1º), o festival exibe os curtas Autofagia (PE), Quando os dias eram eternos, O Tronco e Sal (SP), bem como o longa-metragem Toro.

Discussão sobre consumo de filmes no Brasil encerra ciclo de debates do CINE PE

Discussão sobre consumo de filmes no Brasil encerra ciclo de debates do CINE PE

Discussão sobre consumo de filmes no Brasil encerra ciclo de debates do CINE PE

O que se deve fazer para aumentar a demanda e impulsionar o consumo dos filmes produzidos no país? A pergunta foi o mote do debate que encerrou a programação workshops do CINE PE. No painel ‘Economia do Audiovisual: Como é possível estimar a demanda por Audiovisual no Brasil?, realizado nesta sexta-feira (30) no Hotel Transamérica, no bairro de Boa Viagem, Zona Sul do Recife, o diretor da Agência Nacional de Cinema (Ancine), Sérgio Sá Leitão, discutiu o cinema nacional, sob a ótica econômica do mercado, com os professores de Economia Gustavo Ramos Sampaio, Yony Sampaio, Paulo Henrique Vaz e Gilson Schwartz.

O encontro, mediado pelo idealizador do festival, Alfredo Bertini, teve início com a apresentação do professor de Economia da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) Gustavo Ramos Sampaio. Ele mostrou os resultados de um estudo que desenvolveu com Yony Sampaio e Paulo Henrique, além do pesquisador Breno Sampaio, e que faz uma análise do comportamento do público que consome cinema no Brasil. “Se você me disser hoje que você vai lançar um filme no mercado brasileiro e me der todas as características do seu filme, no ano que vem, eu prevejo o comportamento de demanda para o seu filme”, afirmou.

Em seguida, o economista Paulo Henrique Vaz disse que a pesquisa está na fase de analisar, de forma mais detalhada, as variações do comportamento dos consumidores de acordo com a realidade de cada região e cidade brasileira. “O modelo lança uma previsão de público, mas a gente está fazendo a parte de análise de demanda, que é mais olhar um pouco atrás, colocando não só o desempenho dos filmes no mercado brasileiro, tanto nacionais como internacionais, como atrelando, por exemplo, como o público reage a determinadas características de filmes ou a características demográficas das regiões”, explicou.

Já o pesquisador Yony Sampaio ressaltou que o estudo traz respostas a diversas questões relacionadas ao mercado de entretenimento no país. “Há um ponto no setor de que o número de salas para os filmes nacionais não tem compatibilidade com os filmes estrangeiros. Com esses dados, a gente pode perfeitamente comparar as características dos filmes nacionais para ver a questão da disponibilidade e ocupação de salas”, declarou.

Diretor da Ancine, o jornalista Sérgio Sá Leitão sublinhou a necessidade de que as decisões políticas em relação ao segmento audiovisual sejam tomadas com base na verificação de dados científicos. “Acho que, em qualquer área da atividade humana, a gente trazer a coleta e a análise de informações para o processo de tomada de decisões é algo absolutamente fundamental. De um modo geral, o que vemos nos órgãos ligados à cultura é que a gente tem tomado uma série de decisões quase sempre no vazio, muito mais em função de visões pré-concebidas”, afirmou.

Por fim, o professor Gison Schwartz, que ensina Economia do Audiovisual na Universidade de São Paulo (USP), lembrou a revolução nos hábitos de consumo dos produtos culturais impulsionada pela internet ao longo das duas últimas décadas. “É uma ruptura muito profunda em todas as áreas. A gente está falando de entender a demanda num momento em que essa mudança tecnológica alteram radicalmente o tempo, o espaço e a percepção da realidade tanto para quem está no lado da demanda quanto quem está no lado da oferta, e muito especialmente para quem distribui”, observou.

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