Técnicas e estéticas permeiam debate entre cineastas do terceiro dia do CINE PE

Técnicas e estéticas permeiam debate entre cineastas do terceiro dia do CINE PE

Dando continuidade às coletivas de imprensa com os realizadores de curtas e longas que estão na grade do CINE PE, esta sexta (30) foi dia de dar voz à diretora da ficção Aqui Jaz, Brenda Ligia Miguel, ao diretor do documentário em curta-metragem Retratos da Alma, Leo Bello, ao roteirista e ator Mário Bartolotto, do longa Borrasca, e ao diretor André Lage, de Los Leones. A discussão, mediada pela diretora do festival, Sandra Bertini, começou por volta das 10h30 da manhã. O curta-metragem Aqui Jaz, filmado com iPhone, despertou os olhares e dúvida no público presente e rendeu um bom tempo de debate a respeito da sua execução e estética. Já Léo Bello falou de sua própria relação contemplativa com a natureza e sobre o visual eremítico de Retratos da Alma.

A diretora Brenda Lígia falou sobre seu curta ‘Aqui Jaz’. Foto: Lana Pinho/Divulgação

O debate sobre os longas permitiu que o público conhecesse as técnicas utilizadas pelo diretor André Lage, que, durante um ano, acompanhou o dia a dia de um casal argentino, a travesti Mariana Koballa e seu companheiro, Raul Francisco. Durante a conversa, o cineasta lembrou que conheceu o casal durante uma viagem a passeio para a Argentina e que ficou apaixonado: “Eu vi que o material era potente e que, para fazer algo que explorasse tudo o que eu tinha ali, era necessário passar um longo tempo ao lado deles”. Mario Bortolotto, roteirista de Borrasca, explicou a escolha do título da obra, que significa “um temporal com ventania violenta e de pouca duração”, além de relembrar sua trajetória nos palcos de São Paulo.

CINE PE explora novos caminhos do audiovisual

CINE PE explora novos caminhos do audiovisual

A terceira noite de exibição do CINE PE, que aconteceu nesta quinta (29), começou trilhando pelos novos caminhos e possibilidades do audiovisual. A ficção pernambucana Aqui Jaz, de Brenda Ligia Miguel, é um exemplo prático de uma nova forma de fazer cinema: o documentário foi inteiramente gravado utilizando um telefone celular. “Todos nós temos um smartphone, e qualquer um que tenha uma câmera na mão e uma ideia na cabeça pode fazer cinema”, apontou a diretora, que também assina o roteiro, produção, montagem, edição de som, direção de arte, figurino e ainda atua no filme.

A diretora Brenda Lígia apresentou seu curta ‘Aqui Jaz’. Foto: Lana Pinho/Divulgação

Seguindo a linha desta edição, que apresenta uma programação extremamente plural, o festival exibiu também o documentário brasiliense Retratos da Alma, um convite para o expectador refletir sobre a natureza humana. Excepcionalmente, a noite contou com a exibição de dois longas-metragens, ambos participantes da Mostra Competitiva da categoria: o documentário mineiro Los Leones, de André Lage, que traça um retrato íntimo de um casal argentino, a travesti Mariana Koballa e seu companheiro, Raul Francisco; e a ficção paulistana Borrasca, de Francisco Garcia, que fala sobre amizade, traição, amor e morte.

Nesta sexta (30), o evento segue com a projeção dos curtas O Menino do Canto do MarPeleja do Sertão e Mulheres Negras: Projetos do Mundo. O longa da noite é o policial O Crime da Gávea, dirigido por André Warwar e com roteiro de Marcílio Moraes, baseado no romance homônimo do próprio Marcílio. As sessões acontecem no Cinema São Luiz a partir das 19h30, e os ingressos custam R$ 5 (preço único). Às 10h, no Hotel Transamérica, em Boa Viagem, acontecem as entrevistas coletivas dos filmes exibidos na quinta (29). No mesmo local, às 14h30, será sediado o seminário “Economia do audiovisual: Como é possível estimar a demanda por audiovisual no Brasil?”.

‘Impecável’, disse Olavo de Carvalho sobre documentário de Josias Teófilo

‘Impecável’, disse Olavo de Carvalho sobre documentário de Josias Teófilo

Após a coletiva com representantes dos curtas-metragens exibidos na noite da última quarta (28) dentro da programação do CINE PE, Sandra Bertini, diretora do festival, juntou o diretor pernambucano Josias Teófilo e o produtor Matheus Bazzo para promover um debate sobre O Jardim das Aflições. Em uma tela montada ao lado do palco estava uma das grandes novidades da 21ª edição do evento: o filósofo Olavo de Carvalho, retratado pelo documentário, falava ao vivo, via Skype, de sua residência em Richmond, nos Estados Unidos. A seleção da obra em questão foi um dos motivos do protesto que culminou na saída de sete filmes da grade inicial da programação.

Foto: Lana Pinho/Divulgação

“Ontem foi uma noite linda. Foi um momento muito atribulado o que aconteceu no CINE PE. Foi uma situação tensa, que no início me tirou o sono. De certa forma, me desagradou um pouco. Minha vida ficou um caos”, lamentou Josias. O diretor defendeu que, apesar das dificuldades, a polêmica também surtiu um resultado positivo: “O filme despertou uma atenção tremenda. Hoje, vendo essa sessão de ontem, eu realmente não tenho mais do que reclamar ou ficar bravo com alguém, porque isso faz parte da trajetória do filme. É uma história única, é uma história preciosa”, explanou.

“O filme não tem a pretensão de apresentar a filosofia do Olavo de Carvalho, mas apenas alguns temas do livro ‘O Jardim das Aflições’; nem mesmo o livro inteiro, apenas alguns temas. E isso foi feito de maneira maravilhosa, impecável, perfeita, e ainda tem o mérito de ser um dos raríssimos filmes brasileiros que têm relevância filosófica”, pontuou Olavo sobre o resultado final do documentário.

Aspectos de consumo do audiovisual em debate no CINE PE

Aspectos de consumo do audiovisual em debate no CINE PE

Aspectos de consumo do audiovisual em debate no CINE PE

O Hotel Transamérica, no bairro de Boa Viagem, Zona Sul do Recife, sediou, na tarde desta quinta-feira (29), o painel “Novos Modelos de Negócios no Audiovisual: Como a soberania do consumidor está revendo os conceitos na Produção, Distribuição e Exibição?”, dentro da programação de debates do CINE PE 2017. A mesa foi presidida pelo economista Alfredo Bertini, que iniciou o bate-papo sobre os novos aspectos do consumo audiovisual do Brasil, além do advogado e Especialista em Regulação da Agência Nacional de Cinema (Ancine), Marcos Tavolari, e do doutor em Linguística, criador e editor da Revista de Cinema, Hermes Leal.

De acordo com Bertini, que há 24 anos acompanha e estuda o setor, o mercado precisa se adequar às novas demandas. “Há uma questão quase que shakespeariana entre ser artista ou empreendedor. É importante ser as duas coisas. A realidade da mudança de consumo não tem mais volta”, pontuou.

Já Marcos Tavolari pontuou sobre o crescimento do setor de mídia e entretenimento mesmo com a crise mundial. “O mundo se conecta através do audiovisual. O audiovisual está em tudo e a todo momento em nossas vidas, não só nos cinemas e TVS. Está desde o elevador até o celular”, disse o representante da Ancine. Tavolari alertou ainda para o boom da indústria de games, que já fatura mais do que a indústria de cinema. “Games deixou de ser algo marginal no Brasil para ser algo rentável. É um dos novos negócios do audiovisual que tem que ser estudado”.

Hermes Leal trouxe para o debate o ponto de vista do produtor e realizador. Segundo ele, é preciso que haja um maior debate acerca do teor do que se é produzido no Brasil. Ele aponta que há um tabu para se debater conteúdo no país. “O conteúdo é que vai sustentar os números. Os modelos de exibição passam, mas sempre vai haver público para consumir o conteúdo”, destacou Hermes.

Cine PE 2025 presta homenagem emocionante a Júlio Andrade

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Entrevista coletiva aborda processo criativo de curtas-metragens do segundo dia do CINE PE

Entrevista coletiva aborda processo criativo de curtas-metragens do segundo dia do CINE PE

Depois da segunda noite de exibição do CINE PE, a diretora do festival, Sandra Bertini, reuniu sete representantes dos seis curtas-metragens exibidos na véspera para uma entrevista aberta ao público. A coletiva de imprensa aconteceu na manhã desta quinta (29) no Hotel Transámerica, em Boa Viagem. Entre os presentes estavam o roteirista Marcelo Cavalcante e o animador Marcos França, de Marina e o passarinho perdido, curta criado a partir de um livro infantil, também da autoria de Marcelo, que retrata histórias que surgiram das brincadeiras de sua filha Marina. Também estavam no palco a diretora de Almas Secas, Helena Ferreira, curta de dois minutos de duração que foi produzido como seu trabalho de conclusão de curso; Maurício Nunes, diretor da animação O Ex-Mágico, baseado no título homônimo de Murilo Rubião; Marcus Paiva, diretor de Soberanos da Resistência, documentário que traz um olhar reflexivo sobre a situação do maracatu em Pernambuco; e Lucas Tergolino, co-produtor do curta-metragem gaúcho Dia dos Namorados.

Foto: Lana Pinho/Divulgação

Por fim, o documentário Luiza foi representado pelo diretor de fotografia Murilo Lazarin. A película dirigida por Caio Baú, irmão da personagem retratada, trata da relação entre uma jovem deficiente de 24 anos e o universo ao seu redor, tendo a sexualidade como fio condutor para abordar temas como autonomia, preconceito e superproteção. O debate, que durou pouco mais de uma hora e meia, girou em torno do processo criativo dos filmes. Contudo, na maior parte do tempo, os holofotes se detiveram sobre Luiza e as curiosidades sobre a personagem-título. “Vocês conseguiram o que nem sempre os documentários conseguem, que é o mergulho na intimidade de um indivíduo”, descreveu o diretor da ANCINE, Sérgio Sá Leitão.

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